Poética

A pesquisa de Lia Naya investiga a ruína não como fim, mas como estado de transição.

Essa investigação nasce da observação de que, quando a sensibilidade é sistematicamente silenciada, o colapso não é acidente — é consequência.

Em seu trabalho, a falha das estruturas visíveis não representa ausência, mas a revelação de forças que operam fora do campo do controle racional.

Ao deslocar a fragilidade emocional do lugar de fraqueza para o de potência perceptiva, sua obra afirma a sensibilidade como um sistema ampliado de leitura da experiência humana — uma antena ativa, frequentemente negada por modelos de racionalidade excessiva.

Quando essa sensibilidade é silenciada, o acúmulo torna-se tensão; a contenção, colapso.

A ruína emerge, então, não como escolha, mas como consequência da negação do invisível.

Entre matéria e suspensão, fluxo e contenção, suas obras revelam que o que sustenta o humano não é necessariamente estável, visível ou nomeável — mas permanece operante mesmo após a perda da forma.

A obra de Lia Naya não busca restaurar equilíbrios ideais, mas tornar perceptíveis as estruturas sensíveis que continuam atuando quando tudo o que parecia sólido falha.